terça-feira, 1 de Setembro de 2009

Le Loeb dans la France! (édition spécial)*

Pois é. 'Nous sommes arrivé' e já mexe. Até agora um compêndio de burocracias e adivinhe-se, 'tout en francais'.
Caídos do céu numa cidade-paraíso eu até já me sinto um kamikaze oriundo não sei bem de onde. A julgar pelos franceses 'je et Márcôs Pérrérrà' somos italianos, brasileiros e, às vezes, espanhóis. Até o individuo da ryanair que por sinal, e vá-se lá saber como, é português, pensa que, pelo menos o Marcos é francês e depois espanhol, até soltar um laivo de júbilo quando o Marcos Mangalho lhe diz ser português. Bem, ser português já me deu 1€ de desconto na compra de 12 cabides numa das milhentas lojas que 'il-y-a' no mirabolante e inefavelmente belo centro de Aix-en-Provance, a 20 km de Marselha. De resto ninguém conhece Braga a não ser um ou outro espanhol mas basta dizer que é côté du' (O)Porto e eles desdobram-se em elogios acerca da grande beleza da zona.
Tá bem. Para lá disso, há ainda aqueles filmes em 'parler avec les personnes', porque há sempre aquela palavra que te prende quando vais todo lançado num discurso que promete ser fluente. Ou prometia e o Titanic bate no Iceberg onde provavelmente ia dentro o tetra-avô do Paulo Bento. Por falar em futebol "ma che cazzo??" 8-1? só se explica da seguinte maneira:
- Quando o Lobo tá em Portugal, o Benfica não joga nada. Quando o Lobo sai o Benfica cilindra. Se isto for verdade eu vou ponderar ficar aqui até à final da Liga Europa. De resto quando acedi à net para ver os últimos 3 minutos do tal jogo, eis que o Setúbal marca o tento de honra. Eu devo ter um timming brilhante. Cheguei a pensar que era o MM que deitava maldiçoes ao Benfica mas depois disto descobri que o meu colega não tem nada que ver com isto. É a maldição do Lobo e há que aceitar. Certo eu nasci Portista mas fui baptizado e os demónios saíram só que ficaram cá fora a perseguir-me muahahahah.
Anyway, estas edições especiais serão intercaladas com edições regulares enquanto eu estiver em Aix. De futuro as fotos vão aparecer. De resto já tou instalado e espero que 'demain' seja o último dia de burocracias desta semana... se não for pedir muito. É que ainda por cima ja tou confuso e 'yo dejá speak en tout los idomas possibles et imaginable because et iso me esta siempre quedando, ça va'?

wwhuuuuuhh!

Hasta!

P.S. - MM e Loeb salut tout les amis qui sont en Portugal!
P.S.S. - Já disse "ma che cazzo" a dois italianos e eles riram-se

sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Oh não, outra vez futebol...

Vote Abstenção!Eis o que eu penso do actual Benfica. Vieira e Estaline são mesmo parecidos. As minguas dissemelhanças estão mesmo em detalhes estéticos, onde Estaline vence claramente, apesar de ter vivido há meio século atrás. Talvez o penteado seja realmente um penteado, ao contrário do esgadelhado Vieira e o bigode tem aquele toque, não é um bigode qualquer. E sim, a orelha de Vieira é mais torta.
Agora a parte não menos gira mas muito menos acrítica: as semelhanças. Não somente faciais mas também estatuárias e ideológicas.
Estaline e Vieira têm em comum o facto de ambos serem presidentes de grandes nações: Estaline da ex-URSS e Vieira do Benfica. Agora já percebi o discurso do "resgatar o passado, ou devolver a glória". Afinal este conteúdo, que agora me parece suspeito, faz lembrar os axiomas ditatoriais, e quando julgávamos que se falava do passado vitorioso do Benfica, está-se afinal a falar do fulgor vermelho...comunista.
O que Vieira fez foi um atentado à democracia mascarado em habilidade jurídica. Não foi delegado aos sócios o poder de decidir. Foi-lhes retirado esse elemento democrático tão simples como o sufrágio. E porquê? Medo? Talvez. E também porque Vieira é um ditador que pensa que tem, pode, quer e manda. É triste e devia de haver abstenção 100%.
Tal como num regime comunista os sócios foram tratados com igualdade e todos tiveram os mesmos direitos: nenhum. Ou apenas menosprezo, vilipêndio e um certo ultraje.

Vieira és um visionário. E também o maior da tua aldeia. Por isso, deixem o homem ser feliz...

P.S. Como os benfiquistas foram tratados como um nulidade, também os votos deviam ser todos em branco!

Como rentabilizar 15 milhões de € (ou como não perdê-los)





sábado, 7 de Fevereiro de 2009

Diz-me que documentos tens, dir-te-ei quem és...

Fui obter o meu Cartão do Cidadão. Nada de novo...e oh! Mas que vem a ser isto? 12 €uros??? Diria, na não inocente expressão popular (que talvez tenha surgido depois do tempo da Inquisição), que isto é "um roubo de Igreja". Assim tão grande. Mas à parte de discussões sobre avaliações sobre as proporções desse roubo, chega dizer que é, simplesmente, e por isso insultuosamente, um roubo, ou, para quem preferir, um furto.



Isto prende-se com a nossa condição de cidadãos. Todos os países que obrigam um cidadão a pagar para sê-lo são uns mercenários e tratantes além de algo que rasa o despotismo camuflado. Supostamente devíamos ser cidadãos por direito e não por obrigação ou poder de compra. Eis o problema. Admitamos que eu queria ser cidadão. Todavia precisava desses 12 €uros para alimentação ou para tratar uma doença admitindo que a minha condição económica era bastante frágil. Eu digo o que discorreria daí. Eu teria de ficar privado de tudo o que envolvesse o social e a legalidade, isto é, o Direito. Porque nos termos da lei não poderia fazer o que fosse: ter casa, conduzir, ter trabalho, estudar, ou mesmo ter acesso a auxílio médico sem que para isso tivesse de pagar uma fortuna. Isto tem nome. Sim é verdade, poderíamos chamar-lhe "vergonha", "ultraje" ou "infâmia", mas designa-se pelo belo e erudito termo científico de "coercividade".
Talvez aleguem que "é uma receita indispensável para o Governo e que serve não só para o acumular do tesouro nacional, como também para saldar a despesa da elaboração deste magnífico cartão ao abrigo do programa SIMPLEX" e parece que estou a ouvir José Sócrates a proferir tais palavras no seu tom coloquial. Mas eis o que é SIMPLEX: ou pagas e tens dinheiro para o fazer ou tas irremediavelmente lixado, porque não podes ser cidadão, logo não podes pertencer aos quadros sociais e estás destinado ao alheamento, à pobreza, à miséria, à vagabundagem e à clandestinidade. Eis o que é. Se calhar é mesmo melhor gastar 12 €uros nisso do que em comida, ou em tratamentos, porque senão depois não posso comer nem ser tratado ao que for. E eu nem pensei em nada disto no indeliberado acto de pagamento. Vá lá que o tinha, ou noutro caso... bem, alguém me empresta 12 €uros?



Outro caso é o da nossa condição humana e como tal o direito à livre circulação. Na Europa é preciso Cartão do Cidadão. Para o resto do mundo é preciso passaporte. Para isso são necessários pelo menos 50 €uros. Antes as pessoas podiam circular livres pelo mundo. Se há coisa que me repugna é mesmo este sentido de mega-propriedade como é um país, que se acha no direito de barrar a passagem a quem só quer viajar um mundo que tem o direito de viajar. A terra é livre de se pisar assim como o ar de se respirar. Aonde nos trouxe coisas como a ganância ou a tirania? Ninguém se importa de ter defeitos. Se é que isso existe por ser natural. E sendo natural estamos a legitimá-los. Sim, eu prefiro pensar que existe. E preferia que naturalmente não houvesse nada disto: defeitos e burocracias.

sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009

Conversa sobre Tintas

Aqui há uns anos atrás, estava eu na flor da idade, passavam na TV vários míticos anúncios a promover tintas. A febre dos tempos arrumou com eles todos e, pelo que parece, ninguém reparou nisso. É caso para dizer que o mundo "está-se nas tintas para isso", e "isso" são também tintas.
Bem, eu não me estou nas tintas. De facto até gostava de ser pintor. O que me importuna aqui? Talvez o facto das tintas se estarem nas tintas. Creio que estamos a perder valores. Tenho saudades daquele papagaio da Barbot a mexer o bico ou do estrondo sonoro com que se anunciava "rrrrobbialac". Depois da telemovelmania hoje só há espaço para grandes empresas produzirem anúncios e produzirem-se a si mesmas perante os públicos.
Afinal, também, quem quer tintas? Eu não vou pintar a minha casa todos os dias ''? Eis a quem importa: aos construtores civis. Porém, os padrões de qualidade de tinta que se detêm nas paredes de casa já não assoberba ninguém. Estão-se nas tintas. Um construtor civil mudou o discurso da "tinta de qualidade" para "tinta mais barata". Por isso elas até podem ter o nome que quiserem que o povão está-se nas tintas para o nome das tintas, o que interessa mesmo é aquele autocolantezinho com uns dígitos a indicar o valor da tinta. E a tinta que vale menos é a mais preciosa. Tempos de crise, meus amigos. Já não há tempo para os líricos e fantasticamente mirabolantes embates de titãs no negócio das tintas. Pinte-se mas é o que for preciso e deixemo-nos de tintas. Se a conversa ainda fosse sobre "Tintos"...
Deixo por isso o meu último adeus ao embate pictórico que preencheu e divertiu os portugueses durante uma década nos intervalos de programas como o Big Brother ou coisas piores. Esta homenagem é, portanto, devida.


terça-feira, 27 de Janeiro de 2009

Mundial 2018 (e os Velhos do Restelo)

Somos o país do nunca. Daí, entre tantos entraves e hesitações, quando olhamos para o lado mal conseguimos suster o queixo na sua aparente queda até ao chão, pois nessa altura já estamos demasiado atrasados face aos nossos congéneres. Chama-se a isto estagnação. A culpa é das cogitações que fazem o simples parecer complexo. E a isto, que uns designam de "burocracia", eu afirmo ser meramente "interesse" porque se não o for teria de admitir que é uma inépcia do tamanho do mundo.
Manuela Ferreira Leite é contra tudo. Contra o TGV, contra o Mundial 2018 ou 2020 em Portugal (em parceria com Espanha), contra uma lista indispensável de obras públicas e, claro está, contra a própria Democracia.
No outro oposto temos um Jerónimo de Sousa obsoleto e incapaz de inovar.
Diz o ditado: velhos são os trapos. No entanto o país parece um trapo e a culpa é destes velhos. Não só porque praticam uma oposição hedionda e retrógrada, mas também porque não têm classe nem carisma para ocuparem os cargos que ocupam. Donos das suas verdades, não passam de um impasse político e ambos juntos formam um par de zeros: um à esquerda e outro à direita. Por eles estaríamos no século XIX a andar em carroças para não poluir o ambiente, com os homens nas tascas e as mulheres na lida da casa, o vulgo a acorrer em manadas à afluência paroquial de Domingo, com a aristocracia a valer-se do 3º estado, assim como a Igreja ou o Rei, ou seria governado pelos operários, nitidamente nascidos para dominar o Direito, enquanto que o resto do mundo vivia na era tecnológica...



OLÁ! Bom dia p'ra vocês também! Mas onde é que nós estamos, hein? Os líricos que se dediquem à literatura fantasiosa (pois devem estar a desperdiçar o único talento que possuem). Agora vir mandar filetes sem nexo só p'ra se dizer que se é do contra: muito obrigado senhores catedráticos do alto das vossas longevidades. O que é que tantos anos vos ensinaram afinal? Pois...nada. Não é? Então porque é que não há mocidade na cabeça de um partido???

No caso do Mundial 2018 ou 2020. Ferreira Leite diz que não. Jerónimo diz talvez. Mas afinal qual é o problema mesmo? Nós dávamo-nos ao luxo! E já por isso a candidatura não é de todo uma garantia de que irá acontecer!
Entre algumas políticas absurdas na área da Educação, o Governo de Sócrates sempre soube ser oportuno nas Obras Públicas de que tanto precisamos para sermos modernos. Um Mundial sem custos de construção de estádios aposta sobretudo no progresso. Não só por acolher milhões de estrangeiros ao nosso país, que seria exposto ao mundo pelos media de todo o mundo, é um investimento seguro em obras públicas como o TGV ou as rodovias, ou o aeroporto de Alcochete, prontinhos a estrear para o efeito do certame. Aliado a isto este Governo parece querer apostar seriamente na regionalização e promove desde o inicio políticas ambientais só atingidas pelo troço de linha do TGV Évora-Elvas e o recente caso FREEPORT.
De qualquer das maneiras é sempre fácil ignorar o futebol e colocar-lhe um rótulo redutor. E o resto? Se o fenómeno traz progresso...

As visões mundiais de Ferreira Leite e Jerónimo de Sousa deixam muito a desejar. Assim torna-se fácil para Sócrates. Sugestão do dia: pegar nas malas e ir viver p'ró monte. Aposto que faziam um belo casal juntos. E enquanto eles viviam a sua vidinha na quietude do nada civilizacional, poderiam então deixar o mundo progredir. Portugal, em especial, ficava mundialmente reconhecido.

P.S. Ocorreu-me agora: será que estes dois ainda estarão vivos para ver o Mundial 2018?